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Quando a busca por novos públicos rompe o posicionamento da marca

  • 12 de fev.
  • 2 min de leitura

Análise do caso Mercedes e o desalinhamento comunicacional


Expandir público não significa abandonar território simbólico


Marcas consolidadas frequentemente buscam ampliar alcance e dialogar com novos públicos, mas esse movimento exige cuidado estratégico para não comprometer o posicionamento construído ao longo do tempo. Quando a comunicação ignora o território simbólico da marca, a tentativa de aproximação pode gerar ruído, estranhamento e perda de coerência perceptiva.

O episódio envolvendo a associação da marca Mercedes a uma campanha conectada ao universo musical popular representado pela música “Lec Lec” tornou-se exemplo amplamente discutido no mercado como um caso de desalinhamento entre linguagem comunicacional e posicionamento histórico de marca premium com um público fiel muito específico.


Linguagem incompatível gera ruptura perceptiva


A Mercedes construiu, ao longo de décadas, uma identidade fortemente associada a sofisticação, engenharia de precisão, luxo e exclusividade. Esse território simbólico estabelece expectativas claras no público e orienta a forma como a marca deve se comunicar. Quando campanhas adotam linguagens radicalmente distantes desse posicionamento, o resultado não é necessariamente aproximação de novos consumidores, mas a percepção de incoerência estratégica.

A tentativa de dialogar com públicos mais amplos por meio de uma estética e linguagem que não conversam com a identidade histórica da marca pode provocar efeito contrário ao desejado: não atrai novos consumidores de forma consistente e ainda gera estranhamento entre os públicos já consolidados.


Crescimento de público exige transição estratégica, não ruptura


Marcas que desejam expandir seu alcance precisam realizar movimentos graduais de reposicionamento, criando pontes simbólicas entre o território atual e o território desejado. A adoção abrupta de linguagens que não dialogam com a narrativa histórica da marca tende a ser percebida como artificial, comprometendo a coerência da comunicação.

Estratégias eficazes de expansão comunicacional preservam elementos centrais de identidade — estética, tom, valores e narrativa — mesmo quando experimentam novas linguagens ou formatos.


Aprendizado estratégico


O caso evidencia que a busca por novos públicos não deve ser conduzida apenas como decisão de marketing, mas como decisão de posicionamento. Marcas premium, especialmente, dependem da consistência simbólica para preservar valor percebido. Quando a comunicação rompe essa consistência, o impacto não se limita à campanha específica, podendo afetar a percepção estrutural da marca.


Fonte: Mercedes-Benz Brasil — material publicitário institucional, campanha promocional vinculada à ação de marketing associada à música “Lec Lec” (divulgação em mídias digitais e promocionais).

Link de acesso ao vídio da camanha: https://youtu.be/yB6hRg7Hfdo?list=RDyB6hRg7Hfdo


Expandir alcance comunicacional exige estratégia de transição, não ruptura de identidade. A coerência entre linguagem, posicionamento e território simbólico é o que permite que marcas cresçam mantendo sua relevância e valor percebido. Campanhas que ignoram essa coerência tendem a gerar visibilidade momentânea, mas dificilmente constroem posicionamento sustentável.

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