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Representação sem legitimidade

  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Quando a comunicação ignora a coerência simbólica da narrativa


Representar não é apenas mostrar — é dar voz legítima


A campanha “Somos Todos Paralímpicos”, promovida pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, desenvolvida pela agência Africa e publicada editorialmente pela Vogue Brasil, utilizou atores sem deficiência representando atletas paralímpicos, decisão que gerou amplo debate público sobre representatividade e legitimidade comunicacional. O episódio tornou-se um exemplo relevante de como decisões criativas podem produzir repercussões estratégicas quando a execução da mensagem não corresponde à realidade que pretende representar.

A intenção de gerar visibilidade para o evento não foi suficiente para evitar críticas relacionadas à substituição de pessoas diretamente representadas por figuras externas à narrativa retratada.


Narrativas sensíveis exigem coerência estrutural


Temas que envolvem inclusão social, diversidade e representatividade demandam consistência entre mensagem, escolha de personagens e execução da campanha. Quando a comunicação utiliza símbolos que não correspondem à realidade que pretende valorizar, o público tende a perceber a ação como superficial ou desconectada do propósito declarado. Em contextos institucionais, esse desalinhamento pode gerar desgaste reputacional significativo, pois coloca em dúvida a autenticidade do posicionamento adotado.

A comunicação estratégica não se limita à criatividade visual ou narrativa; ela envolve a compreensão do impacto social e simbólico das escolhas feitas durante o desenvolvimento da campanha.


Responsabilidade comunicacional é parte da estratégia


Marcas e instituições que atuam em contextos socialmente sensíveis precisam compreender que comunicação não é apenas transmissão de mensagem, mas construção de significado público. A escolha de quem representa determinada narrativa, de que forma essa representação ocorre e qual espaço é concedido às vozes diretamente envolvidas influencia diretamente a credibilidade da campanha.

Quando a comunicação ignora essa dimensão, a repercussão negativa tende a superar a visibilidade inicialmente pretendida.


Aprendizado estratégico


O caso evidencia que campanhas institucionais não devem ser avaliadas apenas por alcance e criatividade, mas pela coerência entre mensagem e representação. Comunicação responsável não é apenas questão ética; é elemento estratégico fundamental para preservar reputação e legitimidade institucional.



Fonte: Vogue Brasil — Editorial “Somos Todos Paralímpicos”, campanha do Comitê Paralímpico Brasileiro (2016).


Representatividade não se constrói apenas por meio de discurso, mas pela coerência entre narrativa e execução. Campanhas que ignoram essa coerência podem transformar iniciativas de visibilidade em episódios de desgaste reputacional. A comunicação estratégica exige sensibilidade, consistência e responsabilidade na forma como histórias são contadas e por quem elas são representadas.

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